Publicado por: rigson | 5, dezembro, 2008

Aula Teórica/Prática XIV – Teratogênese

Nessa aula que foi continuidade da aula passada a professora Patricia Freitas nos mostrou as causas e as principais malformações congênitas.

Teratologia- estudo do desenvolvimento anormal

A teratologia é o ramo da ciência que estuda as causas, os mecanismos e os padrões do desenvolvimento anormal.

Período Crítico 3ª a 8ª Semana

  • Até 3ª Semana: lei do tudo ou nada
  • 3ª Semana: Erros de gastrulação
  • 4ª Semana: Fechamento do tubo Neural
  • 4ª a 8ª Semana: Malformações Estruturais
  • 9ª Semana ao nascimento: Malformações Funcionais

Anomalias causadas por Fatores Genéticos

Numéricas

  • Poliploidia

Ocorre quando o zigoto formado contém 3 ou mais conjuntos completos de cromossomos.

1. Triploidia (3n)

Resulta de polispermia ou da permanência do segundo corpo polar. Fetos triplóides apresentam grave retardo do crescimento intra-uterino e tronco desproporcionalmente pequeno. Ocorre em cerca de 2% dos embriões, a maioria é abortada espontaneamente e os que nascem sobrevivem pouco

2. Tetraploidia (4n)

Resulta da duplicação do número de cromossomos provavelmente durante a primeira divisão de clivagem. São inviáveis e abortados muito precocemente

  • Aneuploidia

Quando o zigoto contém o conjunto completo de cromossomos mais ou menos um ou dois cromossomos (2n ±1 ou 2).

Resulta da não-disjunção, ocorre quando os cromossomos do par de homólogos não se separam durante a meiose na gametogênese.

1. Síndrome de Down (47 = 46 + 21)

Incidência 1:700

é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra total ou parcialmente. Recebe o nome em homenagem a John Langdon Down, médico britânico que descreveu a doença em 1866. A síndrome é caracterizada por uma combinação de diferenças maiores e menores na estrutura corporal. Geralmente a síndrome de Down está associada a algumas dificuldades de habilidade cognitiva e desenvolvimento físico, assim como de aparência facial.


2. Síndrome de Edward (47 = 46 + 18)

Incidência 1:8.000

s características principais da doença são: atraso mental, atraso do crescimento e, por vezes, malformação grave do coração. O crânio é excessivamente alongado na região occipital e o pavilhão das orelhas apresenta poucos sulcos. A boca é pequena e o pescoço normalmente muito curto. Há uma grande distância intermamilar e os genitais externos são anômalos. O dedo indicador é maior que os outros e flexionado sobre o dedo médio. Os pés têm as plantas arqueadas e as unhas costumam ser hipoplásticas. Esta sintomatologia tem uma incidência de 1/8000 recém-nascidos, a maioria dos casos do sexo feminino, mas calcula-se que 95% dos casos de trissomia 18 resultem em abortos espontâneos durante a gravidez.


3. Síndrome de Patau (47 = 46 + 13)

Incidência 1:25.000

Foi descoberta em 1960 por Klaus Patau observando um caso de malformações múltiplas em um neonato, sendo trissômico para o cromossomo 13. Tem como causa a não disjunção dos cromossomos durante a anáfase 1 da meiose, gerando gametas com 24 cromátides. Cerca de 20% dos casos resultam de uma translocação não-balanceada.

Ocorre na maioria das vezes com mulheres com idade avançada 35 anos acima

O Fenótipo inclui malformações graves do sistema nervoso central como arrinencefalia. Um retardamento mental acentuado está presente. Em geral há defeitos cardíacos congênitos e defeitos urigenitais incluindo criptorquidia nos meninos, útero bicornado e ovários hipoplásticos nas meninas gerando inviabilidade, e rins policísticos. Com freqüência encontram-se fendas labial e palato fendido, os punhos cerrados e as plantas arqueadas. As orelhas são malformadas e baixamente implantadas. As mãos e pés podem mostrar sexto dedo e/ou o quinto dedo sobrepondo-se ao terceiro e quarto, como na trissomia do 18. Vivem normalmente até os 6 meses

4. Síndrome de Klinefelter (47 = XXY)

Incidência 1:1.080

Muitos homens têm sido avaliados e as quatro condições mais comuns encontradas são:

– Esterilidade

– Desenvolvimento de seios (Ginecomastia)

– Características masculinas incompletas

– Problemas sociais e/ou de aprendizagem

5. Trissomias Parciais = Trissomia parcial 9

Trissomias parciais requerem estudo cromosômico familiar, pela possibilidade de um dos progenitores ter translocação balanceada.

Mosaicismo → quando a não-disjunção ocorre durantes as divisões mitóticas da clivagem. Parte das células são trissômicas e o restante é normal. Ex. Síndrome de Down com mosaicismo: sintomas mais amenos, quanto menor o número de células afetadas mais discreta será a sintomatologia.

Anormalidades Cromossômicas Estruturais

  • Deleção – Síndrome de Cri Du Chat 5p- Síndrome de Wolf-Hirschhorn 4p-
  • Microdeleção – Prader-Villi cromossomo 15 com imprint genético paterno

Angelman cromossomo 15 com imprint genético materno

  • Translocação
  • Inversão
  • Cromossomos em anel

Síndrome de Cri Du Chat 5p-

Incidência 1: 50000

Alteracões Gênicas

  • Heranças recessivas

Síndrome de Roberts

  • Heranças dominantes

Síndrome de Apert

Síndrome de Crouzon

Síndrome de Treacher Collins

Disostose Craniofacial

Acondroplasia

Osteogênese Imperfeita

  • Herança ligadas ao sexo

Distrofia Muscular de Duchenne

Xeroderma Pigmentoso (com quebra de DNA)

Fatores Ambientais

  • Agentes infecciosos
  • Drogas
  • Radiação

Herança Multifatorial

combinação de fatores genéticos e ambientais

  • Pé torto Congenito
  1. Deformidade do osso do tornozelo
  2. Incidência 1:100

  • Síndrome de Poland

Sindactilia

Bracdactilia

Ausência do peitoral maior

Ausência de tecido mamário

Artigo:

Avaliação de Teratógenos na população Brasileira

http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/630/63070106.pdf

“… Estima-se que o ser humano está exposto a mais de 5.000.000 de substâncias químicas, mas apenas 1500 foram testadas em animais e pouco mais de 40 são comprovadamente teratógenos…”

Sem dúvida este artigo me chamou atenção, e principalmente aquele trecho que eu citei acima, isso significa que existem muitas substancias teratógenas a quais estamos expostos e isso certamente deve ser a causa de algumas doenças e malformações. Além disso o artigo mostra a realidade dos países em desenvolvimento, que muitas vezes demoram para retirar do mercado medicamentos comprovadamente prejudiciais a saúde diferente dos países desenvolvidos.

fontes:

MOORE, Keith L. Persaud.: Embriologia Clinica. 7ed. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2004.

T.W. SADLER. Langman Embriologia Médica. 8ed. Rio de Janeiro, GUANABARA KOOGAN, 2001.

Outras fontes: Anotações em aula, slides dos professores.

Publicado por: rigson | 20, novembro, 2008

Aula Teórica XIV – Malformações Congênitas

Lembro que esta foi minha primeira aula depois de ter passado pelas cirurgias e ter ficado um bom tempo afastado da faculdade. Eu ainda estava de atestado mas já tinha perdido muitas aulas mas já estava me sentindo bem, pronto para voltar ao trabalho.

Lembro-me também que nos reunimos em grupos para discutir quanto aos prováveis causas das malformações congênitas e também como evita-las elaborando uma lista de 15 itens a serem seguidos pelas gestantes.

Malformações congênitas

Classificam-se em 3:

1.Causas genéticas

  • Numéricas

Aneuploidia

Poliploidia

  • Estruturais

Deleções

  • Mutações

Dominante

Recessiva

Ligadas ao sexo

2. Causas Ambientais

  • Drogas

Medicamentos (Talidomida, Estreptomicina, Tetraciclina, Fenitoína, Ácido Valpróico, Aminopterina, Benzodiazepínicos, Lítio, Ácido Retinóico)

Alcool

Drogas Sociais

  • Agentes Infecciosos

TORCHSS –> Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus, Herpes, Sifílis, SIDA.

  • Radiação

3. Causas Multifatoriais

Aquelas que não se pode indentificar somente um fator como causa, como por exemplo idade avançada do pai e da mãe.

COMO EVITAR:

1- fazer Pré Natal

2- Não beber (bebidas alcoólicas)

3- Não Fumar

4- Alimentar-se Bem

5- Não Usar Drogas

6- Usar Ácido fólico

7- Não usar medicamentos sem Prescrição

8- Evitar Raios – X

9- Não estressar

10- Fazer Exercício (diabetes gestacional)

11- Lavar bem frutas e verduras (toxoplasmose)

12- Evitar contato com animais

13- Comer carne bem passada

14- Vacinação em dia

15- Gravidez antes dos 30 anos

Fontes:

MOORE, Keith L. Persaud.: Embriologia Clinica. 7ed. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2004.

Outras fontes: slides dos professores, anotações em aula.

Publicado por: rigson | 20, novembro, 2008

Aula Teórica XIII – Período Fetal

Ainda nesta aula estava internado e por isso não pude assistir, culpa das duas cirurgias que sofri e das complicações que tive depois.

Considerações gerais

O período fetal começa 9 semanas após a fertilização e termina com o nascimento. Ele se caracteriza pelo crescimento rápido do corpo e diferenciação de tecidos sistemas e órgãos. Uma mudança óbvia é a diminuição relativa do crescimento da cabeça em comparação com o resto do comparação com o resto do corpo. No inicio da vigésima semana aparecem lanugo e cabelos, a pele fica fina coberta pela vernix caseosa.

O feto é menos vulnerável aos efeitos teratogênicos de drogas, vírus e radiação, mas estes agentes podem interferir no crescimento e desenvolvimento funcional normal, especialmente do cérebro e dos olhos.

De 9 a 12 semanas:

  • A cabeça é quase a metade do feto. No final de 12 semanas os genitais já estão diferenciados. A produção de células do sangue que era feita pelo fígado passa a ocorrer no baço. Começa a eliminação de urina para o líquido amniótico.

De 13 a 16 semanas:

  • membros inferiores aumentam de tamanho
  • esqueleto ossifica rapidamente.

De 17 a 20 semanas:

  • a mãe começa a perceber os movimentos fetais
  • a pele fetal fica coberta pelo vérnix caseoso (material oleoso produzido pelas glândulas sebáceas). Este protege a pele fetal.
  • surgem pequenos pelos (lanugos), que ajudam a fixar o vérnix caseoso.

De 21 a 25 semanas:

  • começa a produção de surfactante;
  • o feto começa a ganhar peso.

De 26 a 29 semanas:

  • a medula óssea entra em atividade;
  • os pulmões já estão desenvolvidos.

De 30 a 34 semanas:

  • a pele se torna lisa
  • reflexos pupilares à luz estão presentes.

De 35 a 38 semanas:

  • fetos “gordos”, com cerca de 16% de gordura;
  • testículos de fetos masculinos, já estão na bolsa escrotal.

De 38 a 42ª semanas:

  • Recém-nato de termo
  • Pele rósea e opaca
  • Descamação de pele
  • Mamilos salientes
  • Orelha cartilaginosa
  • Sulcos nos pés
  • Pouco lanugo
  • Boa sucção
  • Bom tônus

Depois da 42ª Semana

  • Pós-datismo ou pós-maturação
  • Pele decamada e apergaminhada
  • Unhas longas
  • Corpo magro
  • Cabeça grande
  • Liberação de mecônio

Observação:

Pela OMS os fetos são considerados de termo após 37 e até 40 semanas de gestação.

Procedimentos da avaliação do estado do feto

A perinatologia é um ramo da medicina que se ocupa do bem estar do feto e do recém nascido, cobrindo geralmente o período que vai de cerca de 26 semanas após a fertilização até 4 semanas após o nascimento. A subespecialidade da medicina perinatal associa aspectos da obstetrícia e da pediatria. Um feto no terceiro trimestre pode serr considerado como um paciente que ainda não nasceu, no qual podem ser efetuados procedimentos diagnósticos e terapêuticos como por exemplo:

  • Amniocentese Diagnóstica
  • Dosagem de Alfa-Fetoproteína
  • Estudos Espectométricos
  • Amostragem das vilosidades coriônicas
  • Padrões da Cromatina sexual
  • Transfusão fetal Intra-uterina
  • Fetoscopia
  • Amostragem de Sangue por punção do cordão umbilical
  • Ultra-sonografia
  • Tomografia computadorizada e Ressonância magnética
  • Amniografia e fetografia
  • Monitoramento fetal
  • Estudos espectofotometricos

Essas técnicas estão disponíveis para avaliar o estado do feto e quando necessário fazer o tratamento pré-natal.

Fatores que influenciam o crescimento fetal gerando um recén-nato Pequeno para a Idade Gestacional – PIG

  • Desnutrição materna
  • Gravidez múltipla
  • Tabagismo
  • Hipertensão materna
  • Fatores genéticos
  • Maturação-placenta
  • Etilismo
  • Drogas sociais
  • Doenças infecciosas intra-útero

fontes:

MOORE, Keith L. Persaud.: Embriologia Clinica. 7ed. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2004.

T.W. SADLER. Langman Embriologia Médica. 8ed. Rio de Janeiro, GUANABARA KOOGAN, 2001.

http://www.embryology.ch/francais/jfetalperiod/planmodfetalperiod.html

Outras fontes: slides dos professores.

Publicado por: rigson | 20, novembro, 2008

Aula Teórica XII – Período Embrionário

No dia da palestra, infelizmente sofri uma cirurgia e não pude estar presente naquele dia. Estou limitado as informações presentes nos livros e nos slides dos professores, só lembrando que nada substitui uma boa aula ministrada por nossos professores.

Período Embrionário Aspecto Geral


O Período Embrionário vai dá quarta a oitava semana, todos os principais órgãos e sistemas do corpo são formados a partir das três camadas germinativas. No início da quarta semana, o dobramento dos planos mediano e horizontal converte o disco embrionário trilaminar achatado em um embrião cilíndrico, em forma de C. A formação da cabeça, da eminência caudal e das pregas laterais é uma seqüência contínua de eventos que resulta em uma constrição entre o embrião e o saco vitelino. Durante o dobramento, o saco vitelino, revestido por endoderma, é incorporado ao embrião e dá origem ao intestino primitivo (anterior, médio e posterior). Com o dobramento cefálico ventral, parte da camada endodérmica é incorporada pela região cefálica do embrião, formando o intestino anterior. O dobramento da região cefálica também leva a membrana orofaríngea e o coração a se deslocarem ventralmente, tornando o encéfalo em desenvolvimento a parte mais cefálica do embrião. Com o dobramento ventral da eminência caudal, parte da camada germinativa endodérmica é incorporada pela extremidade caudal do embrião, constituindo o intestino posterior. A parte terminal do intestino posterior se expande, formando a cloaca. O dobramento da região caudal também resulta no deslocamento da membrana cloacal, da alantóide e do pedículo do embrião para a superfície ventral do embrião. O dobramento do embrião no plano horizontal leva a incorporação de parte do endoderma ao embrião, constituindo o intestino médio. O saco vitelino permanece unido ao intestino médio através de um estreito pedículo vitelino. Durante o dobramento no plano horizontal, forman-se os primórdios das paredes ventral e lateral do corpo. Como o âmnio se expande, ele envolve o pedículo do embrião, o pedículo vitelino e a alantóide, formando assim o cordão umbilical. As três camadas germinativas se diferenciam nos vários tecidos e órgãos, de modo que, ao final do período embrionário, já estão estabelecidos os primórdios de todos os sistemas e órgãos.

O aspecto externo do embrião é grandemente influenciado pela formação do encéfalo, do coração do fígado, dos somitos, dos membros, das orelhas, do nariz e dos olhos. Com o desenvolvimento destas estruturas, o aspecto do embrião muda de tal modo que, ao final da oitava semana, ele possui características indubitavelmente humanas.

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Quarta Semana

  • Dobramento do embrião, com pregas cefálica, caudal e transversais.
  • Define-se a forma cilíndrica do embrião.
  • Formação dos arcos faríngeos
  • Formação dos brotos dos membros
  • Delimitação das fossetas ótica
  • Posição do coração é ventral após dobramento do embrião, que lhe confere forma de C.
  • Fechamento neuróporo cranial no 26º dia e do neuróporo caudal no 28º dia

Quinta Semana

  • Grande desenvolvimento da cabeça, devido ao desenvolvimento do encéfalo e das proeminências faciais
  • Brotos dos membros em forma de nadadeira e depois em forma de pá.
  • Apresentam movimento de contração dos membros e do tronco

Sexta Semana

  • Forma-se o pigmento da retiniano tornado o olho evidente
  • A cabeça está curvada sobre a proeminência cardíaca e o tronco mais ereto
  • O embrião tem resposta reflexa ao toque
  • Aparecem as saliências auriculares ao redor do segundo sulco faríngeo, muito abaixo do local final da implantação do pavilhão auricular
  • Diferenciam-se os cotovelos e tornozelos
  • Formação da placa das mãos e pés e raios digitais
  • Inicia da formação da genitália externa
  • Formação do esqueleto cartilaginoso que servirá de molde ara a ossificação

Sétima Semana

  • Entre os raios digitais definem-se membranas interdigitais, chanfraduras que delimitam os raios digitais
  • Inicio da ossificação
  • Aparece a Onfalocele Fisiológica, uma herniação do intestino delgado para dentro do cordão umbilical, devido ao grande tamanho do fígado (hematopoético) e ao desenvolvimento renal. As alças devem retornar ao abdome na 11º semana.

Oitava Semana

  • É visível o plexo vascular do couro cabeludo
  • Face com características humanas e a cabeça corresponde a metade do corpo
  • Pescoço definido
  • Pálpebras em formação
  • Olhos lateralizados e separados
  • Pavilhão auricular mais definido
  • Desaparece a cauda
  • Dedos individualizados por apoptose das membranas interdigitais

Com o desaparecimento da cauda do concepto ele deixa de ser chamado de embrião e passa a ser denominado feto. Estudos anteriores admitiam que o concepto deveria ser chamado de feto depois dos 3 meses de gestação. Atualmente inúmeros autores já falam em feto após a oitava semana de gestação, levando em conta justamente a regressão da cauda.

Grande Importância

No Período embrionário ocorre a organogênese, é nesse período que o embrião está mais suscetível a ação de teratógenos e conseqüentes malformações estruturais. (Ver figura abaixo)

O contato com teratógenos entre 0 e 14 dias após a fecundação pode levar o concepto a ser abortado ou nenhum dano lhe acomete (Manson, 1986).

fontes:

MOORE, Keith L. Persaud.: Embriologia Clinica. 7ed. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2004.

T.W. SADLER. Langman Embriologia Médica. 8ed. Rio de Janeiro, GUANABARA KOOGAN, 2001.

http://www.embryology.ch/francais/jfetalperiod/planmodfetalperiod.html


Outras fontes: Anotações em aula, slides dos professores.

Publicado por: rigson | 15, outubro, 2008

Aula Prática XI – Gestação Gemelar

Na aula prática daquele dia, tivemos uma revisão da aula teórica.

Publicado por: rigson | 15, outubro, 2008

Aula Teórica XI – Gestação Gemelar

Alegria em dobro, cuidado em dobro!

A gestação gemelar ou gravidez múltipla é quando ocorre a presença de dois ou mais conceptos no útero materno ao mesmo tempo.

Para se ter uma idéia, na medicina existe um caso em que foram removidos ao todo 15 fetos de uma mãe que estava com quatro meses de gestação.

Nesse caso raríssimo, drogas fertilizantes foram às causas dessa gestação.

A gestação normal já apresenta alguns riscos, e no caso de uma gestação gemelar os riscos são ainda maiores, isso porque as chances de ocorrerem malformações e de óbito são aumentadas consideravelmente.

Atualmente, os nascimentos múltiplos são mais comuns devido ao estimulo a ovulação, que ocorre quando são administrados gonadotrofinas exógenas a mulheres com ausência de ovulação e aquelas que estão sendo tratadas contra infertilidade por fertilização in vitro e transferência de embriões.

Ocorrência de nascimentos múltiplos

Gêmeos

1 vez em cada 85

Trigêmeos

1 vez em cada 90²

Quádruplos

1 vez em cada 90³

Quíntuplos

1 vez em cada 904

Estas estimativas aumentam quando ovulações são induzidas por hormônios, uma técnica de uso geral em mulheres estéreis por oclusão tubária.

Classificando:

Monozigóticos(MZ)

Resultado da fecundação entre UM óvulo e UM espermatozóide, portanto são gêmeos monozigóticos. Também conhecidos como gêmeos idênticos pois possuem o mesmo sexo e o mesmo tipo sanguíneo além de serem muito parecidos fisicamente.

mz2

mz2

A formação de gêmeos MZ usualmente começa ainda no estágio de blastocisto ainda na primeira semana, e resulta na divisão do embrioblasto em dois primórdios embrionários. Subsequentemente, dois embriões, cada um em seu saco amniótico, desenvolven-se dentro do mesmo saco coriônico e partilham uma placenta comum – uma placenta gêmea monocoriônicadiamniótica. A separação precoce dos blastômeros embrionáriios é rara e resulta em gêmeos MZ com dois âmnios, dois corions e duas placentas, que podem ou não estar fundidas.

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Dizigóticos (DZ)

São resultado da fecundação de dois espermatozóides e dois óvulos, portanto são gêmeos dizigóticos. Também conhecidos como gêmeos fraternos, podem ter o mesmo tipo sanguíneo ou não e o mesmo sexo ou não, mas como são formados por dois zigotos eles não são geneticamente mais semelhantes do que irmãos ou irmãs nascidos em épocas diferentes. Eles apenas partilharam o útero da mãe ao mesmo tempo.

Os gêmeos DZ tem sempre dois âmnios e dois córions, mas os corions e as placentas podem estar fundidos. A ocorrência de gêmeos DZ mostra uma tendência hereditária.

A incidência desse tipo de gemelaridade de acordo com populações:

1 em 500 nos asiáticos

1 em 125 em caucasianos

1 em 20 em algumas populações africanas

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Outros Tipos de Nascimentos Múltiplos

Os trigêmeos podem derivar de: (1) um zigoto, e serem idênticos, (2) dois zigotos e consistirem em gêmeos idênticos mais uma criança diferente, ou (3) três zigotos e serem do mesmo sexo ou de sexos diferentes. No ultimo caso, os bebes não são mais parecidos entre si do que três crianças nascidas de três gravidezes distintas. Combinações semelhantes ocorrem com quadrigêmeos, quíntuplos e sêxtuplos.

Superfecundação

É a fertilização de dois ou mais óvulos em momentos próximos por espermatozóides de homens diferentes, Este fenômeno acontece comumente em alguns mamíferos. Gêmeos dizigóticos humanos com pais diferentes já foram confirmados por marcadores genéticos.

Gêmeos Conjugados (Siameses)

Se a massa celular interna, ou o disco embrionário, não se dividir completamente, vários tipos de gêmeos conjugados podem formar-se. Estes gêmeos unidos recebem nomes de acordo com a região do corpo pela qual estão unidos. Em alguns casos estes gêmeos podem ser separados com sucesso por procedimentos cirúrgicos, geralmente quando não compartilham de nenhum orgão vital, como por exemplo pulmão ou coração.

Tipos de gêmeos siameses


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Algumas curiosidadades estatísticas sobre gêmeos conjugados:

  • 1 em cada 400 gestações gemelares, será de gêmeos conjugados.
  • Na africa, 1 em cada 14.000 nascimentos será de conjugados.
  • Dos gêmeos siameses, 71% são do sexo feminino.
  • 60% dos gêmeos conjugados morrem ainda no útero, e 35% dos que sobrevivem ao nascimento morrem nas primeiras 24 horas.
  • De todos os gêmeos monoamnióticos, monocoriônicos monozigóticos, 10% são conjugados.

Diagnóstico da gestação gemelar

O diagnóstico precoce da gestação gemelar através de ultra-sonografia realizada no primeiro trimestre da gestação é fundamental para o bom acompanhamento da gestação gemelar.

A ultra-sonografia realizada a partir de 6 a 7 semanas de gestação pode diagnosticar o tipo de gestação gemelar, avaliando se a gestação é monozigótica (gêmeos idênticos) ou dizigótica (gêmeos fraternos). A realização de ultra-sonografia nesta fase tem ainda a importância de datar corretamente a gestação, diagnosticar quantas placentas estão se desenvolvendo na gestação gemelar estudada (termo chamado de corionicidade) e quantos sacos amnióticos (bolsas) existem (termo chamado de amnionicidade). Tanto a corionicidade quanto a amnionicidade são mais facilmente diagnosticados na fase inicial da gestação.

Síndrome da Transfusão entre Gêmeos ( Transfusão Gêmeo-gemelar )

Esta síndrome ocorre em mais de 30% dos gêmeos MZ monocoriônicos-diamnióticos. Há passagem direta de sangue arterial de um gêmeo para a circulação venosa do outro gêmeo através de anastomoses arteriovenosas. O gêmeo doador é pequeno, pálido e anêmico, enquanto que o gêmeo receptor é grande e policitêmico ( aumento acima do normal do número de hemácias ). A placenta apresenta anormalidades semelhantes; a parte da placenta que supre o gêmeo anêmico é pálida, enquanto que a que supre o gêmeo policitêmico é vermelho escuro. Em casos letais, a morte resulta da anemia do gêmeo doador e da insuficiência cardíaca congestiva do receptor.

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Na figura a percebe-se o cordão umbilical do feto morto amputado .

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Artigos:

Gestação trigemelar espontânea: Complicações Maternas e Resultados Perinatais

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032000000700003&lng=pt

Analisando o artigo acima, percebe-se o grau elevado de complicações que acometem as gestantes de gestação trigemelar. Como se sabe, as gestações múltiplas são sempre de alto risco, e esse risco aumenta progressivamente com o aumento no numero de fetos, e por isso deve se dar atenção especial a esse tipo de gestação. Um dado interessante é o do número de gestantes internadas antes do parto para a inibição de trabalho prematuro, que foi bastante elevado cerca de 83%. Outro dado bastante importante é o número de nascimentos prematuros que foram exatamente 11 dos 18, que corresponde a 61%. Lembrando ainda que todos os casos deste estudo foram gestações gemelares espontâneas.

Gravidez Gemelar com Morte Fetal de Um dos Gêmeos: Avaliação Neurológica dos Gemelares Sobreviventes

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032002000200006%094

Coloquei o artigo porque ele causou-me dúvidas e porque achei interessante do ponto de vista da possibilidade de haver lesões neurológicas nos gemelares sobreviventes . Apenas um caso foi constatado com lesão neurológica, porém é possível que as muitas intercorrências
perinatais que este individuo teve, sejam as causas do dano neurológico.

fontes:

MOORE, Keith L. Persaud.: Embriologia Clinica. 7ed. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2004.

T.W. SADLER. Langman Embriologia Médica. 8ed. Rio de Janeiro, GUANABARA KOOGAN, 2001.

http://www3.telus.net/tyee/multiples/septuplets.html

http://www.cpdt.com.br/sys/interna.asp?id_secao=4&id_noticia=395

http://fetus.ucsfmedicalcenter.org/twin/learn_more.asp

http://www.nature.com/jp/journal/v28/n5/fig_tab/7211927f3.html#figure-title

Outras fontes: Anotações em aula.

Publicado por: rigson | 6, outubro, 2008

Aula Prática X – Gastrulação

Gastrulação

Entende-se por gastrulação o processo através do qual o disco embrionário
(bilaminar, formado por duas camadas) é convertido em um disco trilaminar
(trilaminar). Este é o início da morfogênese (desenvolvimento da forma do corpo).
No início da terceira semana surge na linha média do aspecto dorsal do
embrião a linha primitiva, uma camada espessa de células epliblásticas (células do
epiblasto). Na extremidade cefálica da linha primitiva, células se proliferam
originando o nó primitivo, e simultaneamente, dentro desta linha, surge um sulco,
conhecido como sulco primitivo, que no local de encontro com o nó primitivo,
forma uma estrutura conhecida como fosseta primitiva. A linha primitiva torna
possível identificar o eixo cefálico-caudal do embrião, assim como suas
extremidades dorsal e ventral e seus lados direito e esquerdo.
Em seguida, surge na superfície da linha primitiva uma rede frouxa de
tecido conjuntivo denominado mesênquima, que irá formar os tecidos de
sustentação do embrião. Alguns tecidos mesenquimais (originados do
mesênquima) formam uma camada conhecida como mesoderma intraembrionário.
Algumas células da linha primitiva se proliferam e deslocam o
hipoblasto originando mais uma camada de células chamada endoderma intraembrionário.
Neste mesmo estágio, o restante do epiblasto passa a ser chamado
de ectoderma intra-embrionário. Ou seja, as células do epiblasto dão origem a
todas as três camadas germinativas do embrião, que são o primórdio de todos os
tecidos e órgãos. A partir da quarta semana, a linha primitiva diminui e se torna
uma estrutura insignificante no embrião, em geral, com o desenvolvimento do
embrião, degenera e desaparece.

As três camadas germinativas (ectoderma, mesoderma e endoderma) dão
origem aos primórdios de todos os tecidos e órgãos. Seus principais derivados
são:

Ectoderma (em azul)

Sistema Nervoso Central (SNC); Sistema Nervoso Periférico (SNP); epiderme e seus apêndices (pêlos e unhas), glândulas mamárias e subcutâneas; hipófise, meninges.

Mesoderma (em vermelho)

Tecido conjuntivo; cartilagem, ossos, músculo estriado e liso; coração; sangue, vasos e células linfáticas; rins; ovários; testículos e membranas de revestimento das cavidades corporais (pleuras, pericárdio..)

Endoderma (em amarelo)

Revestimento epitelial dos tratos gastrointestinal e respiratório;glândulas tireóide e paratireóide; timo; fígado; pâncreas.

Publicado por: rigson | 6, outubro, 2008

Aula Teórica X – Células-Tronco

Na aula sobre Células-Tronco, uma aula muito interessante por sinal, foi possível ampliar meu horizonte quanto ao assunto tão importante e tão promissor no que diz respeito à cura de doenças usando as células- tronco. De certa forma, fiquei impressionado com os inúmeros procedimentos rigorosos que demandam grande atenção por parte daqueles que manipulam as células desde o processo de obtenção dessas células até mesmo na hora delas se diferenciarem em algo pertinente.

Não me restam dúvidas de que as células-tronco são as esperanças de cura de inúmeras doenças e o futuro é um tanto quanto otimista nesse campo, mas não somente o futuro, pois elas já são realidade e muitos avanços estão sendo feitos com uso de células-tronco como no mal de Parkinson, diabates juvenil e lesões na medula.

Como defini-las?

As células-tronco são células primárias encontradas em todos os organismos multicelulares que retêm a habilidade de se renovar pode meio da divisão celular mitótica e podem se diferenciar em uma vasta gama de tipos de células especializadas. As pesquisas no campo das células-tronco humanas se expandiram após estudos realizados pelos canadenses Ernest A, McCulloch e James E. Till na década de 1960.

CATEGORIAS

As três categorias de células-tronco são:

  • Células-tronco embrionárias derivadas de blastócitos
  • Células-tronco adultas encontradas em tecidos adulto
  • Células-tronco da medula espinhal

Células-tronco embrionárias

As células-tronco embrionárias (ES, pela sigla em inglês) são culturas de células derivadas do tecido do epiblasto da massa interior da célula de um blastócito. Um blastócito é um embrião em seu estágio inicial — aproximadamente 4 a 5 dias depois da fecundação, consistindo em de 50 a 150 células.
As ES são pluripotentes e podem se desenvolver em mais de 200 tipos de células do corpo adulto, quando recebem o estímulo necessário. Elas não contribuem com as membranas extraembriônicas ou a placenta. Quando não recebem estímulo para a diferenciação, continuam se dividindo em cultura e cada célula produzida permanecerá pluripotente. Já se passaram 20 anos de pesquisas e não há tratamento aprovado ou testes em humanos para células-tronco embrionárias.

As células tronco embrionárias podem ser obtidas de um blastocisto.

Como se obtém células tronco, como no caso de um blastocisto?

Basicamente isolando-se as células pluripotentes (epiblasto), podemos usar dois processos distintos:

Isolamento Mecânico

· Cortes e Esmagamento

Isolamento Enzimático

· Protease

· Tripsina

· IDTA

As células do blasltocisto são pluripotentes no caso do epiblasto.

Mas o que significa serem células Pluripotentes?

A resposta é simples, são células que se podem se diferenciar em todos os tecidos exceto a placenta. Ainda existem células Totipotentes, Multipotentes e Unipotentes. Cada uma com características próprias.

Células-Tronco Adultas

As células-tronco adultas são células indiferenciadas encontradas no corpo e que se dividem para repovoar células moribundas e regenerar tecidos danificados. Também conhecidas como somáticas, podem ser colhidas em crianças e em adultos. Uma grande vantagem da pesquisa com células-tronco adultas é a capacidade que elas têm de se dividir ou se autorenovar indefinidamente, além de seu potencial de diferenciação.
Enquanto o potencial com células-tronco embrionárias permanece teórico, os tratamentos com células-tronco adultas já são usadas com sucesso para tratar muitas doenças. O uso de células-tronco em pesquisas e terapia não é controverso como o das células-tronco embrionárias, pois a produção dessas estruturas adultas não demanda a destruição do embrião. Importantes avanços têm sido feitos nos tratamentos do mal de Parkinson, diabates juvenil e lesões na medula.

Células-tronco da medula espinhal

No embrião em desenvolvimento, as células-tronco podem se diferenciar em tipos de tecidos especializados. Em organismos adultos, as células-tronco e as células progenitoras atuam como um sistema de reparo para o corpo, tornando a repovoá-lo de células especializadas. Como as células-tronco podem rapidamente crescer e se transformar em células especializadas com características consistentes com células de vários tecidos, como músculos ou nervos, seu uso nas terapias médicas tem sido proposta.
Em particular, as linhagens de células-tronco embrionárias, as células-tronco embrionárias originárias de clonagem terapêutica e células-tronco adultas do cordão umbilical ou da medula óssea são candidatas promissoras.

POTENCIAIS

O potencial das células-tronco especifica a sua capacidade de diferenciação (de se transformar em tipos diferentes de células)

  1. Totipotententes – Produzidas da fusão de um óvulo e um espermatozóide. São um produto das primeiras divisões do óvulo fertilizado. Essas células podem se diferenciar em células embriônicas e extraembriônicas

  1. Pluripotentes – Descendentes das células totipotentes, são células que se podem se diferenciar em todos os tecidos exceto a placenta.

  1. Multipotentes – Essas estruturas podem produzir apenas células de uma família restrita de células (por exemplo, as células-tronco hematopoiéticas se diferenciam em glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas etc)

  1. Unipotentes – As células podem produzir apenas um tipo celular especifico, mas têm propriedades de autorenovação

NOBEL DE MEDICINA

Comitê agracia dois cientistas americanos e um britânico por suas pesquisas envolvendo células-tronco embrionárias e recombinação de DNA em mamíferos

“mostrou que genes defeituosos poderiam ser reparados por meio desse processo. Por sua vez, Smithies tentou consertar os genes modificados em células humanas – a esperança era curar doenças do sangue herdadas.”

Uma reportagem sobre o tabalho dos ganhadores do prêmio nobel, sem dúvida o que eles mostraram com a manipulação genética e as células-tronco é sem dúvida de uma importância enorme. Agora já é possível criar ratos portadores de alterações em qualquer gene de interesse para estudo mais específico.

http://www.celula-tronco.com/noticias.php?codigo=127

O link abaixo traz uma reportagem agora de cunho filosófico no que diz respeito as células-tronco embrionárias que são esperanças para inumeras pessoas.

http://www.celula-tronco.com/noticias.php?codigo=42

Não fazer comentarios profundos a respeito do assunto e deixar que cada um reflita de maneira coerente. A questão não é se você é a favor ou contra as células-tronco embrionárias, e sim quais os benefícios que elas trazem ou poderão trazer para a humanidade?

Publicado por: rigson | 6, outubro, 2008

Aula Prática IX –

Infelizmente a professora teve uma infelicidade e não pode nos dar a palestra.

Publicado por: rigson | 6, outubro, 2008

Aula Teórica IX – 3ª Semana

Grandes mudanças ocorrem no embrião com a sua passagem do disco embrionário bilaminar para um disco embrionário trilaminar, composto de três camadas germinativas. Este processo de formação de camadas germinativas é denominado gastrulação.

A linha primitiva

A linha primitiva aparece no início da terceira semana como um espessamento na linha média do epiblasto embrionário na extremidade caudal do disco embrionário. Ela dá origem a células mesenquimais que migram ventralmente, lateralmente e cranialmente entre o epiblasto e o hipoblasto.

Tão logo a linha primitiva começa a produzir células mesenquimais, a camada epiblástica passa a chamar-se ectoderma embrionário, e o hipoblasto, endoderma embrionário. As células mesenquimais produzidas pela linha primitiva logo se organizam numa terceira camada germinativa, o mesoderma intra-embrionário.

As células migram da linha primitiva para as bordas do disco embrionário, onde se juntam ao mesoderma extra-embrionário que recobre o âmnio e o saco vitelino. Ao final da terceira semana, existe mesoderma entre o ectoderma e o endoderma em toda a extensão, exceto na membrana orofaríngea, na linha média ocupada pela notocorda (derivada do processo notocordal) e da membrana cloacal.

Formação da notocorda

Ainda no começo da terceira semana, o nó primitivo produz células mesenquimais que formam o processo notocordal. Este se estende cefalicamente, a partir do nó- primitivo, como um bastão de células entre o ectoderma e o endoderma. A fosseta primitiva penetra no processo notocordal para formar o canal notocordal. Quando totalmente formado, o processo notocordal vai do nó primitivo à placa procordal. Surgem aberturas no soalho do canal notocordal que logo coalescem, deixando uma placa notocordal. A placa notocordal dobra-se para formar a notocorda. A notocorda forma o eixo primitivo do embrião em torno do qual se constituirá o esqueleto axial.

Formação do tubo neural

A placa neural aparece como um espessamento na linha média do ectoderma embrionário, em posição cefálica ao nó primitivo. A placa neural é induzida a formar-se pelo desenvolvimento da notocorda e do mesênquima que lhe é adjacente. Um sulco neural, longitudinal forma-se na placa neural; o sulco neural é flanqueado pelas pregas neurais, que se juntam e se fundem para originarem o tubo neural. O desenvolvimento da placa neural e o seu dobramento para formar o tubo neural é chamado neurulação.

Formação da crista neural

Com a fusão das pregas neurais para formar o tubo neural, células neuroectodérrricas migram ventrolateralmente para constituírem a crista neural, entre o ectoderma superficial e o tubo neural. A crista neural logo se divide em duas massas que dão origem aos gânglios sensitivos dos nervos cranianos e espinhais. As células da crista neural dão origem a várias outras estruturas.

Formação dos somitos

O mesoderma de cada lado da notocorda se espessa para formar as colunas longitudinais do mesoderma paraxial. A divisão dessas colunas mesodérrricas paraxiais em pares de somitos começa cefalicamente, no final da terceira semana. Os somitos são agregados compactos de células mesenquimais, de onde migram células que darão origem às vértebras, costelas e musculatura axial.

Formação do celoma

O celoma intra-embrionário surge como espaços isolados no mesoderma lateral e no mesoderma cardiogénico. Estes espaços celômicos coalescem em seguida para formarem uma cavidade única em forma de ferradura, que, no final, dará origem às cavidades corporais (e.g.,a cavidade peritoneal).

Formação do sangue e vasos sanguíneos. Os vasos sanguíneos aparecem primeiro no saco vitelino em torno da alantóide e no cório. Desenvolvem-se no embrião pouco depois. Aparecem espaços no interior de agregados do mesênquima (ilhotas sanguíneas), que logo ficam forradas por endotélio derivado das células mesenquimais. Estes vasos primitivos unem-se a outros para constituírem um sistema cardiovascular primitivo.

Ao final da terceira semana, o coração está representado por um par de tubos endocárdicos ligados aos vasos sanguíneos do embrião e das membranas extra-embrionárias (saco vitelino, cordão umbilical e saco coriônico).

As células do sangue primitivas derivam sobretudo das células endoteliais dos vasos sanguíneos das paredes do saco vitelino e da alantóide.

Formação das vilosidades coriônicas As vilosidades coriônicas primárias tornam-se vilosidades coriônicas secundárias, ao adquirirem um eixo central do mesênquima. Antes do fim da terceira semana, ocorre a formação de capilares nas vilosidades, transformando-as em vilosidades coriônicas terciárias. Prolongamentos citotrofoblasto que saem das vilosidades juntam-se para formarem um revestimento citotrofoblástico externo que ancora as vilosidades pendunculares e o saco coriônico ao endométrio. O rápido desenvolvimento das vilosidades coriônicas durante a terceira semana aumenta muito a área da superfície do cório disponível para a troca de nutrientes e outras substâncias entre as circulações materna e cmbrionária.

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